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ARAME FARPADO Ela caminhava lentamente para seus passos não serem ouvidos, arrastava a trouxa com cuidado atrás de si, a coisa envolvida em trapos ainda tinha leves espas mos e fazia um barulho como um de um sapo coaxando. Ninguém poderia descobrir seu segredo, ninguém poderia saber que aquela trouxa tão imunda e desforme já fora um ser humano. Isso seria uma tragédia,uma desgraça para sua vida amaldiçoada. Ela não fazia por mal, nunca quis ferir ninguém, a primeira vez fora sem querer, estava brincando com um amigo, quando esse se desequilibrou e caiu da ponte; ela tentou segurá-lo, mas ele escorregou; ela ficou vendo os carros passarem por cima do corpo, depois a ambulância chegou e ela sumiu... Ninguém nunca soube. Então se tornou um vício, era como se tudo o que ela tocasse morresse. Mas o pior não era isso; o pior é que ela gostava de ver as coisas morrerem, era tão bom, melhor ainda quando as vitimas reagiam...Ver o medo em seus olhos, a raiva, sentir os golpes que elas davam enquanto morriam, ouvir os gritos e os gemidos, então o silêncio...Ah! aquele delicioso silencio mórbido. Pegando uma pá detrás de um arbusto, ela cavou outra cova, suas mãos já estavam cheias de calos por esta tarefa repetitiva, já estava bem funda em pouco tempo. Abrindo o saco, ela jogou seu conteúdo dentro da cova, só se sabia qual era a cabeça por causa do monte de cabelos cor de avelã, já que o resto era algo retorcido e vermelho. Ela entrou devagar e sem fazer barulho, já estava especialista em quebrar janelas sem ruído. Se dirigiu ao quarto onde o casal dormia, tirou algo da bolsa e segurou firmemente em ambas as mãos,uma luz se acendeu atrás dela. Ela mal teve tempo de olhar, seu rosto foi envolvido por algo que ela reconheceu como arame farpado que lhe cortava e entrava em sua boca. A dor a envolveu, era interminável, o jovem tinha força e a mantinha no chão enquanto puxava e puxava aquele fio cheio de pontas. Via a surpresa e a dor no rosto juvenil dela,devia ter uns dois anos a menos que ele próprio. Não demorou muito para que ele dividisse aquele rosto bonito em dois,o sangue tinha formado uma poça no chão,ele levo o corpo até um baú em seu quarto,em breve a enterraria ou jogaria em um lago, o que aparecesse primeiro, escondeu a bolsa dela na antiga caixa de seu playstation atrás das roupas de futebol. Limpou o sangue com o pano de chão,o lavou e o estendeu no varal. |