Léo Peidão começou a deixar a sua "marca negra" nesse mundo antes mesmo de nascer. No ato da concepção, o pai de Léo Peidão, no alge do ato sexual, começou a gritar o nome de sua amante: Marieta Fim-de-Noite. É claro que a sua mãe (não a sua, a do Léo), ficou muito magoada com o evento, mas como era uma mulher humilde e submissa ao marido, ficou em silêncio, amaldiçoando a futura cria que poderia ser fruto daquele momento. A merda estava feita!!
No dia de seu nascimento, vários fatos marcaram aquela trágica data. A mãe de Léo Peidão morreu durante o parto. Ela sofria de uma prisão de ventre que durava 9 meses (terminara exatamente naquele momento). Léo Peidão nasceu numa pequena cidade do estado do Rio, numa sexta-feira treze, em agosto. Reza a lenda que Léo Peidão nasceu pelo pé esquerdo, e que estava rindo quando foi retirado da mãe morta. É claro que isso não passa de lenda, pois isso seria o suficiente para acusar o menino de "Filho do Tinhoso", ou "Anticristo", ou "Rebento do Capeta"... e atirá-lo ao rio
O menino cresceu forte e sadio, apesar de todas a mazelas
que atingiram a família desde a sua chegada. O irmão
mais velho foi atropelado pelo caminhão de leite quando
foi pegar o bebê (Léo Peidão com 2 anos) que
atravessara a rua sozinho num momento de descuido. Depois
que Léo Peidão (com 8 anos) abrira as porteiras da
fazenda do patrão de seu pai, fazendo com que o gado
morresse afogado na "Grande Enchente de 82",
seu pai nunca mais conseguiu um emprego fixo em uma
fazenda. As irmãs de Léo se tornaram prostitutas em uma
cidade grande depois que seus noivos (rapazes bons e de
família) morreram ao cair com a carroça no rio. Dizem
que os cavalos se assustaram quando Léo Peidão (então
com 12 anos) caíra de um pé de manga que ficava na
beirada da estrada (Léo não sofrera nenhum arranhão).
O avô materno morrera asfixiado quando Léo Peidão (com
13 anos) levara sua máscara de nebulização para escola
a fim de mostrar à professora (posso imaginar o pobre
velho agonizando com a última gota de ar que tinha em
seus pulmões: "d...d...devolve moleque
desgraçado!!!"). A amante de seu pai, Marieta
Fim-de-Noite, transformou-se em Irmã Beneditina, depois
de ver a imagem de Jesus Cristo mexer no altar da Matriz
(na verdade, Léo Peidão, então com 15 anos, escondera
atrás da imagem ao fugir do padre após ter deixado as hóstias da missa caírem no galinheiro).
Como o leitor pôde ver, o rapaz continha alguma coisa
que atraía desgraças à sua família e aos amigos.
O menino cresceu solitário. A única namorada, uma bela moçoila, morreu em virtude de uma febre fulminante que a pegou ao ficar sob uma chuva com Léo Peidão (o guarda-chuva dele emperrou). O pai de Léo Peidão morreu de alívio (literalmente) quando seu filho decidiu tentar a sorte no Rio de Janeiro ao completar a maior idade. A cidade inteira foi até o ponto do ônibus para ter certeza de que ele iria realmente embora.
Depois de 3 pneus furados e uma égua atropelada; finalmente o ônibus chegou ao Rio de Janeiro. O rapaz ficou maravilhado com a grandiosidade da cidade, com as praias, as pessoas, os carros, os prédios, as favelas, o lixo... Depois de apenas quinze minutos no Rio, foi assaltado. Mas a "estrela negra" de Léo brilhou mais uma vez, quando os pobres delinqüentes fugiam com suas malas, parte de uma obra desmoronou sobre os meliantes, esmagando-os na hora. Léo Peidão pôde assim reaver seus pertences.
Imagine o egrégio leitor: um rapaz humilde, ingênuo, pobre e com um "encosto" deste no caos que é o Rio de Janeiro. Vagou durante horas pelas ruas da "Cidade Maravilhosa" (quem disse isso estava em um avião) até chegar na famigerada Praça 15.
Qualquer pessoa que conheça a Praça 15, sabe que, principalmente a noite, não se trata de uma lugar aconselhável para uma reunião de família, muito menos para se formar uma. Léo Peidão procurou muito entre Cabarés, Botequins, Boites e "Suadouros", um Hotel para repousar. Existe vários estabelecimentos na região que não podem ser considerados hotéis; não por pessoas de visão curta como nós. São hotéis que prezam amizade sem compromisso, o encargos não são diários, e sim horários. Esses hotéis possuem uma pastoral que prega a relação íntima entre homens e mulheres com mulheres e homens com outros homens, todos de uma vez ou fazendo fila, um atrás do outro...essas coisas!
Léo Peidão, que era muito religioso, escolheu um hotel
pelo belo nome Bíblico: "Madalena de Sodoma".
Ao adentrar pelo Saguão do Hotel, Léo Peidão levou um
choque. Toda a escória da sociedade estava presente ao
saguão: prostitutas, traficantes, ladrões, cafetinas,
estelionatários, advogados, músicos de Reagge,
fanáticos religiosos, despachantes, escritores de contos
de terror e políticos. Léo Peidão tentou ignorar
aquele ambiente e se dirigiu ao balcão.
Um imigrante coreano, que parecia ser o dono do Mafuá
lhe atendeu com um sotaque carregado:
_Pagamento adiantado! Disse o coreano.
_Tudo bem meu bom homem! Onde assino? Léo disse com
benevolência.
_Aqui! O coreano que se chamava Li Bo Tei apontou com o
dedo na linha pontilhada do grande livro de registros do
Hotel Madalena Sodoma.
Mas ao assinar o documento, a "estrela negra"
de Léo Peidão fudeu novamente.
Um enxame de policiais civis entraram no "sovaco de
cobra" atirando e perguntando depois. Foi uma
balbúrdia, um pandemônio. Pessoas correndo e gritando
por todos os lados, alguns traficantes e advogados
revidaram os tiros, a polícia subia as escadas atirando
em tudo que se movia, o cacete "descia" sem
cerimônia, uma freira que estava no saguão tentando
converter algumas das "funcionárias" do hotel
levou um tiro de escopeta da nunca. Cenas de violência e
morte por todos os lados. Um traficante teve sua parte
inferior da unha perfurada por uma frepa de madeira. Léo
Peidão só teve tempo de pular o balcão e se esconder
com o coreano. Não demorou muito para tudo se acalmar.
Logo todos foram levados para a delegacia (alguns para o
IML), inclusive o pobre Léo Peidão.
Léo Peidão estava desolado. Estava no Rio a apenas algumas horas e já assistira várias cenas de violência explícita. E agora estava a caminho da Delegacia...O que o seu pai diria disso? Com certeza diria: "Coitados dos Policiais".
No Distrito Policial, Léo Peidão conheceu um homem que
julgava existir apenas nos livros de terror. O Delegado
Lobinho Quiquito se aproximou da torpe que chegava e
disse:
_Caralha!!! O que esse ralé está fazendo aqui no meu
Distrito?
_Doutor Delegado, nós não fizemos nada!! Disse uma das
mundanas.
_Lúcio!!! Lúcio!!! Tira esse pessoal daqui!!! Leva todo
mundo pra gaiola!!! Afinal? Quem senta na cadeira que
gira aqui??? Eu!!!!!
_Mas seu Quiquito!!! Tentou argumentar o coreano dono do
Hotel.
_Caceta!!! Cale-se, senão serei Brutal, Bruno Brutal com
você!! Vociferou o Delegado.
Léo Peidão assistiu aquilo tudo com muita tristeza.
Não quis se meter em mais nenhuma encrenca e foi
pacificamente para o xadrez. Mas o encauto Delegado
Lobinho Bananinha (outro apelido) não poderia imaginar
que estaria assinando sua sentença.
Assim que Léo Peidão pisou na sela, uma bomba explodiu
em uma das selas!!! Era uma rebelião de presos (mais
uma) que estava sendo preparada a vários meses e que
escolheram aquele exato momento para começar. Vários
corpos de policias foram despedaçados com a explosão.
Na confusão, muitos presos agarraram os guardas e
começou o tiroteio. Outro inferno começara!! Pessoas
que passavam na rua entraram correndo para dentro da
Delegacia para participar da carnificina. Tiros, bombas
de gás, cassetetes, mordida na orelha!! Tudo valia.
Algumas viaturas da polícia chegaram e começaram a
atirar. As cenas seguintes ultrapassaram o limite da
violência. O Carandiru perto daquilo que virou o
Distrito Policial do Delegado Quiquito, pareceu com uma
colônia de férias. Pilhas de mortos e feridos eram
arremessados pelas janelas.No meio da confusão, Léo
Peidão fugiu. O pobre coreano Li Bo Tei foi confundido
com um cadáver e foi defenestrado do 3º andar (agora sim
era um cadáver). O Delegado Baby conseguiu fugir vestido
de mulher pela portas dos fundos. Só com a chegada do
Esquadrão de Extermínio da Polícia Militar, a
rebelião foi contida.
Léo Peidão sabia que todas aquelas desgraças eram frutos de seu "encosto". Léo Peidão (que recebeu esse apelido depois de matar involuntariamente um homem em um elevador, ao qual ficaram presos juntos), resolvido a dar um basta nessa loucura, cansado de levar desgraça e sofrimento à todos que cruzam seu caminho, resolveu fugir para o interior de Minas Gerais. Mudou de nome (o "P" de Peidão permanece), mudou de cara com uma plástica (o cirurgião morreu de câncer) e resolveu levar uma vida incógnita como escritor de história imbecis na Internet.