Era uma noite estranha, muito estranha. Parecia que o
mundo caía sobre o pobre Vilarejo de Hidown, uma
tempestade castigava as pequenas casas e ruas do lugar.
Todos estavam em casa, ninguém se atreveria sair sob um
dilúvio daqueles. Só se notava uma pequena
movimentação em um único lugar. Apenas 5 pessoas
estavam na Cantina, o velho dono do lugar Sr. Gordon, uma
prostituta barata Regina Marcha-ré, os 2 irmãos
Brotheer e o Leiteiro da cidade, o Sr. Milk Wilson.
Todos estavam bebendo e conversando frivolidades, papo de
bêbado:
_ Você acha que o universo é uma expansão constante
como enunciou Hubble ou segue uma variação volumétrica
pulsante? Perguntou o velho Sr. Gordon
_ Se analisarmos a variação da temperatura do espaço
desde o Big-Bang, notaremos que a temperatura esta
diminuindo, hoje se encontra pouco acima do zero absoluto
(uns 2 graus), talvez quando atingir o zero, toda a
matéria se contraia novamente até atingir temperaturas
e pressões monumentais para um novo Big-Bang. Respondeu
o humilde fazendeiro Mano Brotheer.
Como o leitor pôde perceber, é só mais uma conversa sem sentido, entre bêbados, que se ouve todos os dias nos Bares do Mundo. A conversa informal seguiu amistosamente enquanto todos esperavam a tempestade terminar.
De repente!! Não mais que de repente, a porta do
"Boteco" se abre num estrondo! Todos no bar
olham assustados para a porta. Uma corrente de
vento,chuva e relâmpagos revela um homem, alto, forte,
usando uma roupa completamente negra e chapéu. Logo
entra na "birosca", mal se consegue ver o rosto
do forasteiro que carregava sobre o ombro, um grande
barril.
Todos ficaram paralisados ao ver a figura negra na porta
do Bar. O homem se aproximou lentamente do balcão, todos
se afastaram, quando colocou o grande barril no balcão e
disse:
_ O Senhor é o dono deste estabelecimento comercial?
Tenho algo para mostrar-lhe. Disse o homem de preto
simultaneamente com um relâmpago.
O Senhor Gordon engoliu em seco e só conseguiu dizer:
_S..so...sou.
Nesse momento, Mano Brotheer colocou sua mão na cintura,
no local onde sempre carregava seu revólver, ele era um
homem pacífico, mas tomara o hábito de andar armado
desde os tempos de seus avós.
_ Pode ficar tranqüilo Sr. Brotheer, eu vim em paz! Disse
o homem sem olhar para o Agricultor, que tirou a mão da
cintura em um espasmo.
_Como sabe meu nome???? Eu te conheço???? Perguntou
irritado o trabalhador rural.
Sem responder à pergunta, o homem de preto apenas disse
ao Sr. Gordon.
_ Tenho nesse Barril, um excelente vinho. É um vinho que
o senhor jamais encontrará igual, nesse mundo. Estou
querendo lhe vender.
_ Por que diabos, um homem sairia nessa chuva pelas
estradas para vender vinho? Perguntou a Prostituta Regina
Marcha-ré.
_ Meu Senhor, eu não o conheço e não preciso de vinho
algum. Tenho uma grande e ótima adega aqui na Taberna.
Disse o dono da espelunca.
_ Estou disposto a dar-lhe este barril de graça para o
Senhor e seus convidados provarem. Se não gostarem, eu
não cobro nada, mas se gostarem, farei meu preço. De
acordo?
Palavras mágicas... "de graça, até ônibus
errado"... O Senhor Gordon ao ouvir isso, aceitou de
bom grado o Barril e começou a abrir-lo com um pé de
cabra. O homem de preto sentou num canto afastado do bar
enquanto todos formavam uma roda entorno do Barril, todos ansiosos por um vinho grátis.
Eles bebiam feitos perus em véspera de natal, o Sr.
Leiterio já havia bebido 5 canecas grandes, os irmãos
Brotheer faziam disputas sobre o maior gole. Todos
estavam enchendo a cara, o vinho era delicioso. O homem de
preto só acompanhava a cena de longe, com um pequenino
sorriso no canto da boca.
_ O Senhor não vai beber nada? Perguntou Irmão Brotheer
ao forasteiro.
_ Eu não bebo... vinho.
Todos estavam falando alto, rindo, contando piadas e
histórias. Tudo parecia normal, mas....
De repente os dois irmãos estavam discutindo alto, não
se sabia o motivo, mas seja qual for, estava esquentando.
_Calma gente... Vamos beber mais um pouco! Alegria! Disse
o leiteiro.
_Fica na sua!!!!! Seu desgraçado, filho de uma vaca!!
Gritou o mais velho.
_ Não venha com grosseria! Seu caipira comedor de capim,
cretino!! Respondeu o Leiteiro.
_Parem de brigar!! Disse o Sr. Gordon.
Mas nesse momento começou a tragédia. O mais novo
Brotheer sacou do revólver que também carregava e
disparou dois tiro à queima roupa na boca do Sr. Gordon,
que caiu com a cabeça espatifada e miolos voando para
todos os lados.
_ Cala o lixo dessa boca, seu velho patife!! Gritou o
jovem assassino.
Ao ver isso, Regina Marcha-ré, que estava ao lado do Sr.
Gordon, pegou a escopeta de dois canos que o velho Sr.
Gordon mantinha debaixo do balcão e disparou um tiro no
peito de fazendeiro. O tiro o arremessou ao outro lado do
bar, uma chuva de sangue cobriu todos que estavam em
volta.
_ O que você tem contra putas? Seu filho de uma! Gritou
a mundana um pouco antes de ter seus olhos perfurados por
uma garrafa que o irmão mais velho do morto a havia
jogado.
_Caçarola! Você me cegou! Gritou a meretriz ao
fazendeiro que se preparava para dar um tiro na assassina
de seu irmão. Mas o leiteiro foi mais rápido, agarrou a
cabeça do fazendeiro e a segurou na máquina de cortar
mortadelas em fatias que estava no balcão. O fazendeiro
tentava se soltar do leiteiro enquanto vociferava
encolerizado.
_ Me larga!! Eu vou matar essa vadia!
SLEPT! O leiteiro ligou a máquina de lâminas circulares, e a tampa do crânio do agricultor caiu no
chão.
_ Ai!! Seu desgraçado!! Vou te matar!! gritou o
fazendeiro Brotheer ao ver seu escalpo no chão.
SPLOFT! As lâminas alcançaram os miolos do homem. que
tremia enquanto o leiteiro o segurava com toda a sua
força.
Regina Marcha-ré, que se contorcia de dor e não via o
que estava acontecendo, pois metade de uma garrafa foi
alojada no seu olho direito, começou a dar tiros pra
todos os lados com a escopeta que ainda segurava na mão.
Infelizmente, um tiro acertou na perna do Sr. Leiteiro,
que ao tentar se segurar na caixa registradora para não
cair, acabou arrastando-a para a beirada do balcão,
fazendo com que ela caísse em sua cabeça, funcionando
como um quebra nozes. A caixa registradora que era feita
de cobre, reduziu a cabeça do Sr. Milk Wilson em uma
pasta de sangue e miolos.
O forasteiro assistiu tudo aquilo, sem demonstrar uma
ponta sequer de espanto. Ficou sentado assistindo aquela
cena que não durou mais do que alguns segundos. Agora,
apenas a mulher estava viva, caída num canto atrás do
Balcão. Ele se aproximou da pobre mulher e disse:
_Gostaram do Vinho?
_Seu filho do demônio! O quê tinha naquele vinho??
Gritou a sodomita.
_ Eu não sou filho do demônio. Eu sou o próprio
Carcará, hahahahaha!!! Uma risada demoníaca foi ouvida
à quilômetros de distância
_ Não!!!!!!!!!!!! ARGH!!!!!!!!! Gritou de desespero a
mulher que morreu logo depois, pois o resto da cerveja
que ainda estava na garrafa, começou a escorrer para
dentro da cabeça.
O Homem de preto olhava os cinco corpos espalhados pela
Taberna, que agora estava tingida de sangue por todos os
lados.
_Cinco almas podres em troco de um bom Vinho do
Tinhoso... acho que valeu a pena! Disse o homem de preto
ao sair da Taverna no meio da noite levando o barril
vazio.