Entrevista dos Mamonas Assassinas para a Folhinha, Anna Turra Ajzenberg, 10, Tiago Scrivano, 11, Deborah Lia Corrêa Pinto, 9, e Felipe Altenfelder, 10.
Anna - Qual é o maior sonho de vocês?
Dinho - Maior sonho? Montar uma banda, fazer
sucesso e vender 1 milhão de discos. Mas a gente
sabe que isso é muito difícil.
Tiago - Não. Qual é o maior sonho agora?
Sergio - Agora é manter isso.
Dinho - E chegar a 2 milhões de discos
vendidos.
Deborah - Algum de vocês já foi convidado para
uma suruba?
Dinho - Mas que pergunta é essa? Claro que
não.
Rosangela - Você está respondendo por todo
mundo?
Dinho - Sim. Eu sou o porta-avião da banda.
Felipe - De onde vocês tiram as idéias para as
letras das músicas?
Dinho - A maioria das músicas fala de
situações do cotidiano. Mas a gente coloca o
nosso jeito de ver a coisa. Às vezes, o que pode
ser uma tragédia, como a migração nordestina,
por exemplo, a gente dá o nosso enfoque. Assim,
a coisa fica mais engraçada.
Júlio - A gente vê as tragédias do
dia-a-dia de um jeito engraçado.
Anna - Quando você fez sua primeira música?
Dinho - A primeira música, ``Pelados em
Santos´´, é de 1991.
Deborah - Quem ficou pelado em Santos? (risos)
Dinho - Eu mesmo! Essa menina só pergunta
pornografia. Vocês viram? Só pensa naquilo...
(risos)
Felipe - Que esporte vocês praticam?
Dinho - Todo mundo aqui adora futebol, uns
mais, outros menos. Os que gostam menos não
sabem jogar. É o caso do Júlio e do Bento.
Tiago - Para que time vocês torcem?
Dinho - Eu torço para o Corinthians, graças
a Deus! O Bento é palmeirense. Samuel e Sérgio
torcem para o São Paulo e o Júlio, para a
Portuguesa.
Anna - Como nasceu o grupo?
Samuel - A idéia inicial do grupo, que nem
chamava Mamonas ainda, veio do Sérgio.
Felipe - A idéia foi dele?
Samuel - É, ele tocava há mais tempo. Aí
eu comecei a tocar também. Nós somos irmãos.
Depois, entrou o Bento. A banda era um trio.
Tocamos uns cinco ou seis meses assim. Aí,
entrou o Dinho e, depois, o Júlio.
Anna - Como surgiu o nome ``Mamonas
Assassinas´´?
Dinho - A gente queria mesmo Beatles, mas aí
a gente descobriu que esse nome já existia e
ficou Mamonas Assassinas.
Deborah - Qual de vocês é o ``Robocop Gay´´?
Dinho, Samuel e Sérgio - É o Júlio.
(risos)
Júlio - O que foi?
Dinho, Samuel e Sérgio - Isso você não
precisa saber. (risos)
Anna - Que música deu mais trabalho para fazer?
Dinho - O instrumental de ``Lá Vem o
Alemão´´, porque a gente não sabe tocar samba
e precisou pedir ajuda para os grupos Negritude
Jr e Art Popular.
Felipe - Vocês falavam muitos palavrões
quando eram crianças?
Dinho - Eu não. Só o suficiente.
Felipe - Onde vocês se encontraram?
Samuel - O irmão do Bento trabalhava com o
Sérgio, meu irmão. O Dinho, a gente conheceu em
um show. O Júlio, encontramos na rua. Ele era
menor abandonado e vendia coisas no farol.
Deborah - Vocês já comeram tatu?
Dinho - Vocês entendem tudo errado. Comer
tatu é bom, o problema é que dá dor nas
costas, porque, quando ele entra no buraco, você
tem de ficar agachado pra tirar o bicho de lá.
Tiago - Onde vocês acharam a música do sabão
crá-crá?
Dinho - O Bento cantou a canção e a gente
gostou. Como não encontramos registro da
música, colocamos no disco que ela é de ``autor
desconhecido´´.
Tiago - Vocês usam sabão crá-crá?
Dinho - A gente parou porque o sabão
cró-cró não fez efeito.
Deborah - Como é o sexo dos elefantes?
Dinho - Alguns são fêmeas, outros são
machos. (muitos risos)
Tiago - Vocês querem fazer sucesso em outros
países?
Dinho - A gente recebeu um convite para ir a
Portugal, mas, antes, estamos escalando vários
seguranças. (risos)
Paula - É verdade que vocês recusaram um
convite para fazer comercial de cerveja? Por
quê?
Dinho e Sérgio - A gente achou que não ia
ser legal para o nosso público infantil. Além
disso, a gente não bebe nem fuma.